domingo, 24 de julho de 2011

Dormir.

Se eu dormir posso me perder por aí em outro plano. Quimera um lampejo da fantasia que eu via - ou talvez criasse - aqui fora. Se eu dormir que dure um longo período, talvez longo até demais para que subverta esta vontade de mudar, mas antes de dormir preciso saber: Angústia tem remédio?

Os porquês.

Eu uso todos os porquês, não somente os da gramática, mas todos que estão no plano do irreal quando me refiro ao passado. Ora uso quando não aceito - comigo mesmo e com Deus -, nas milhares de vezes que se interessam; quando finjo pra mim mesmo que tudo já passou... E contigo quando pergunto: Angústia tem remédio?

Cheiro de vida.

Sinto falta do cheiro de vida.
Meu olfato me alerta sobre o dia que terei, mas há tempos ele nada detecta. Nem leves aromas que outrora me levariam a lugares misteriosos, que me perderia... Nada! Sentir algo ruim é triste, mas não sentir é angustiante! Estou mendigando um aroma por aí. Pode ser o mais simples e vagabundo. Alguém? Eu devolvo, só quero por 4 segundos, só... Se não se tiver, pelo menos me responda: Angústia tem remédio?

terça-feira, 19 de julho de 2011

.

- Você se arrepende?
- Não há um dia sequer... Não há uma manhã de sol que eu não me imagine em outra situação, mas é a vida, não é?
- Se você pudesse... O que faria diferente?
- Te diria que as noites também.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Tudo se completa, mareia.


E quando o mar olha para si,
e vê que perde espaço para à areia...
A branca e suave areia que insiste adentrar o mar
Percebe o menino brincando,
fazendo castelos magníficos, com um sorriso belissímo em sua face, preferindo à pálida e seca areia, que o azul e molhado mar.

Logo um sentimento leviano toma conta.
Sua ira é demonstrada ao piscar os olhos de uma forma mais rápida,
que invade à disputada areia, destruindo tudo que está de pé feito com ela.
Assusta todos desatentos a sua fúria.

Ele em seu íntimo pensamento, acredita que se toda areia estiver coberta, todos vão preferir ir ao seu encontro, e já que estão molhados...
Por que não um mergulho?
Com o caminho livre, todos apreciarão as inúmeras vezes que, com glamour, pisca os olhos, com um efeito espécie de onda, uma onda de cor azul.

O mar mesmo sendo durão desaba ao falar desse assunto:
- Todos disputam um lugar em seu colo. Todos querem o melhor lugar. Muitos nem entram, nem se molham, mas ficar nela todos ficam! E os esportes praticados... Ela tem mais amigos do que eu; todas as mulheres que não podem molhar seus cabelos ficam até ao entardecer. Se sinto ciúmes? Sim! Ainda mais dos luais, que são feitos com a sua cumplicidade.

Com sua revolta quase que mortal, às vezes se deprime, se acha inferior...
O que o leva, depois de muita choro, a seu estado de ressaca.

Mal sabe o que se passa do lado de cá...

Ela, adentra nele todas às vezes, para saber como é abraçar o mundo, cada vez que ele, com seu belissímo movimento de abrir e fechar os olhos, vem espionar à costa...
E ainda volta com mais vida!

Sua virilidade e sua iniciativa são a inveja dos imóveis.


A areia tem cíumes de sua cor, que enche os olhos de todos.
Não gosta do seu efeito devastador: quando menos se espera, com a ajuda do sol que esquenta, toma todos os seus amigos como uma espécie de imã.
Quando se vê, já está só!

Com sua fala tímida, ela desaba:
- Todos se vão quando o sol bate, todos querem se refrescar. Além do mais ninguém vem para me ver, todos vem para ver o mar; para um mergulho.Eu tenho tanto cíumes dele, por viajar o mundo; por atravessar continentes; de ser tão cheio de vida. Eu só fico aqui parada, e no final de tudo fico com o rastro de todos, até ele devolve a mim qualquer coisa que não aceita.

E assim, com a junção das magnitudes, se forma a praia.
Sem ele, ela não seria tão disputada.
Sem ela, ele não passaria de água.
Tudo se completa.

Herácliton Caleb

domingo, 3 de julho de 2011

Dúvida.

Queria escrever algo da qual eu me arrependesse amanhã.
Mesmo que o momento seja maior do que as palavras, com elas eu posso mostrar o rastro.

Mas não vou!
Depois teria que dizer que estava bêbado, e aí está o problema: Eu não bebo!
Assim tudo seria a mais pura verdade escancarada, e eu me entregaria.
Não, não.
Eu aguento mais!